Endometriomas: saiba como é feito o diagnóstico - Clínica Elo

Por Elo Clínica

Os endometriomas são cistos formados nos casos de endometriose ovariana e, diferente dos outros tipos de endometriose cujo principal sintoma é a dor, os endometriomas são normalmente assintomáticos e podem provocar infertilidade feminina.

Sua presença nos ovários afeta os processos envolvidos na ovulação, além de causar uma severa diminuição na reserva ovariana e, consequentemente, danos à função reprodutiva das mulheres.

Esses cistos são constituídos por tecido endometrial ectópico, cujo crescimento e desenvolvimento é estimulado pela ação do estrogênio endógeno (produzido pelo próprio corpo), tornando a doença estrogênio-dependente e crônica.

As causas do aparecimento de endometriomas ainda não estão bem esclarecidas pela medicina, porém as principais teorias apontam para alterações genéticas hereditárias e anomalias no desenvolvimento embrionário do sistema reprodutivo feminino, atreladas a questões ambientais, como o estresse físico e emocional.

Por ser uma doença estrogênio-dependente, a ausência de gestações anteriores é um fator de risco para os endometriomas, assim como a menarca (primeira menstruação) precoce e a idade – mulheres que estão na perimenopausa têm menos chance de desenvolver endometriomas do que aquelas com menos de 35 anos.

Na maior parte das vezes a mulher não apresenta somente um tipo de endometriose e os endometriomas costumam vir acompanhados de outras manifestações, que podem causar sintomas mais visíveis.

Contudo, isoladamente, os endometriomas não produzem sintomas além da infertilidade, o que justamente torna seu diagnóstico relativamente mais difícil.

Este texto mostra como é feito o diagnóstico dos endometriomas e também as principais formas de abordagem terapêutica desse tipo de endometriose.

Quais as consequências dos endometriomas?

Como dificilmente os endometriomas aparecem de forma isolada, a mulher costuma apresentar também os sintomas gerais da endometriose:

  • Dor pélvica;
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia);
  • Sangramento durante a relação sexual;
  • Alterações intestinais;
  • Alterações urinárias;
  • Infertilidade;

Podemos observar que as principais consequências da endometriose incluem principalmente sintomas dolorosos e a infertilidade.

De forma geral, a intensidade dos sintomas está relacionada à profundidade dos implantes endometrióticos, enquanto sintomas específicos, como as alterações intestinais e urinárias, dependem dos locais em que os focos de endometriose estão aderidos.

O principal sintoma presente na maior parte das mulheres com endometriose ovariana, em que se desenvolvem os endometriomas, é a infertilidade por anovulação, acompanhada de uma redução sensível da reserva ovariana.

A infertilidade causada pelos endometriomas deve-se principalmente à pressão exercida por esses cistos nos ovários, especialmente na região cortical em que estão localizados os folículos ovarianos contendo as células reprodutivas femininas.

Além disso, a reação inflamatória disparada pelos estímulos do estrogênio também provoca danos aos folículos e ao ovário como um todo, prejudicando a reserva ovariana.

Como é feito o diagnóstico?

Quando a mulher não apresenta sintomas além da infertilidade, esse costuma ser o motivo pelo qual acontece a primeira consulta: compreender o porquê das dificuldades encontradas para conseguir uma gestação por vias naturais.

Por isso, é fundamental que o primeiro contato seja marcado por uma conversa acolhedora, que aborde principalmente o histórico de saúde individual e familiar da mulher.

A anamnese deve buscar compreender se existem casos precedentes da doença, principalmente entre parentescos próximos, ou se a mulher passou por outros eventos relacionados à saúde reprodutiva, que possam ter impactado sua fertilidade.

De qualquer forma, a confirmação diagnóstica para os endometriomas depende da análise dos exames de imagem, que forneçam dados mais detalhados sobre as condições dos ovários e do sistema reprodutivo das mulheres.

O principal exame de imagem envolvido no diagnóstico dos endometriomas é a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal.

Nela, a mulher deve realizar o esvaziamento prévio dos intestinos, normalmente no dia anterior ao exame, podendo recorrer ao auxílio de medicamentos específicos para isso.

O esvaziamento intestinal permite uma melhor visualização de algumas regiões próximas ao peritônio, e é importante para o diagnóstico dos endometriomas, porque muitas vezes esses cistos entram em contato também com o peritônio.

O exame consegue detectar, ainda, a presença de outros focos endometrióticos na cavidade pélvica, não ovarianos, sendo por isso indicado de forma geral para o diagnóstico da endometriose como um todo.

Como é a conduta após o diagnóstico?

O tratamento dos endometriomas pode ser realizado a partir de duas principais condutas: a medicamentosa e a cirúrgica. A indicação depende principalmente dos desejos que a mulher manifeste de ter ou não filhos.

Tratamento contraceptivo

A abordagem medicamentosa é feita a partir de contraceptivos orais combinados de estrogênio e progesterona, com objetivo de regular a dinâmica hormonal, controlando o ciclo menstrual e também os sintomas dolorosos.

Essa forma de tratamento, contudo, só é indicada para mulheres com quadros leves de endometriose ovariana – poucos cistos e de pequenas dimensões – e que não desejam engravidar.

Tratamentos cirúrgicos

Para os casos mais severos, especialmente aqueles em que além dos endometriomas a mulher apresenta outros focos endometrióticos, a videolaparoscopia é atualmente o procedimento utilizado para realizar a retirada dos implantes.

Porém, por oferecer risco de dano ao tecido ovariano pela manipulação mecânica necessária para a remoção, esse procedimento também é contra indicado para as mulheres que desejam engravidar, inclusive aquelas que têm indicação para o tratamento com reprodução assistida.

A retirada parcial ou total dos ovários pode ser recomendada para mulheres que desenvolvem os endometriomas em idade já próxima à menopausa e que não desejam ter filhos, embora esta seja a última abordagem por suas consequências radicais sobre a vida reprodutiva da mulher.

Reprodução assistida

A infertilidade desencadeada pelos endometriomas pode ser tratada também pela reprodução assistida, particularmente por fertilização in vitro (FIV).

A FIV, considerada uma técnica de alta complexidade, é atualmente o procedimento mais indicado para a maior parte dos casos de infertilidade, incluindo aqueles causados pelos endometriomas e também por outras formas de endometriose.

Para mais informações sobre endometriose, toque no link.

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