Infecção por clamídia - Clínica Elo

Por Elo Clínica

Mesmo com a ampla divulgação das informações sobre a importância da prevenção nas relações sexuais, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ainda representam um problema preocupante. Dados da OMS alertam que, a cada dia, surge 1 milhão de novos casos de contaminação por ISTs. As doenças de maior prevalência são infecção por clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase.

Apesar de tantos avanços que configuram a medicina contemporânea, nota-se que o controle da propagação dessas doenças. Seria, portanto, necessário focar em um esforço conjunto para superar esse obstáculo, o que inclui concentrar mais esforços em meios de conscientizar a população sobre os riscos das ISTs.

Sem ampliar tanto o leque das patologias citadas, este texto traz informações importantes sobre uma das condições mais prevalentes entre as ISTs: a infecção por clamídia, provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis.

Os principais sintomas da infecção por clamídia

A infecção por clamídia, assim como as outras patologias sexualmente transmissíveis, pode ser facilmente evitada com o uso de preservativos. A prevenção é a conduta mais recomendada, mesmo que o(a) parceiro(a) sexual apresente saúde confiável. Isso porque as doenças infecciosas podem se desenvolver de forma assintomática ou somente manifestar sinais após algumas semanas.

Mesmo quando há sintomas, estes podem se apresentar por um curto período ou com baixa intensidade. Dessa forma, a pessoa infectada pode ignorar os sinais da infecção e retardar a busca por diagnóstico.

Os sintomas podem surgir de forma diferente em homens e mulheres. Algumas manifestações em comum nos dois sexos incluem dor abdominal e dor ou queimação durante a micção. No organismo masculino, a doença ainda pode causar:

  • dor e inchaço na bolsa testicular;
  • secreção peniana;
  • presença de sangue na área retal, bem como sensação de irritação no local.

Já as mulheres podem suspeitar de infecção por clamídia a partir dos seguintes indícios:

  • dor durante a relação sexual — condição chamada de dispareunia;
  • escapes de sangue entre os ciclos menstruais;
  • sangramento após o ato sexual;
  • urgência para urinar;
  • corrimento vaginal intenso, amarelado e com odor forte.

Os riscos associados à infecção

A falta de diagnóstico precoce e tratamento coloca em risco a saúde da pessoa infectada. Isso porque o problema pode provocar outras doenças, com prejuízos significativos às funções do sistema reprodutor.

Os quadros a seguir podem ser originados a partir da infecção por clamídia:

Infertilidade

A infecção por clamídia merece atenção especial de quem tem planos de reprodução. Os quadros inflamatórios que se desenvolvem nos órgãos reprodutores, do homem e da mulher, podem causar obstruções e aderências cicatricais que dificultam o processo de concepção.

Endometrite

A endometrite é uma inflamação no tecido endometrial. Além dos sintomas incômodos, a doença ainda pode prejudicar as chances de gravidez da mulher, visto que o endométrio é a camada interna do útero, em que o embrião se implanta no início da gestação.

Doença inflamatória pélvica (DIP)

A DIP engloba uma série de inflamações no sistema reprodutor feminino, incluindo a endometrite e a salpingite (infecção nas tubas uterinas). Conforme a gravidade do quadro, os ovários também podem ser atingidos, resultando em ooforite.

Algumas das consequências dessa doença são acúmulo de pus nas trompas, formando um abscesso tubo-ovariano, e a hidrossalpinge — dilatação das tubas. Todos esses efeitos se tornam um obstáculo para as funções reprodutivas.

Processos inflamatórios nos órgãos masculinos

A mulher não é a única que tem a saúde e a fertilidade prejudicadas pela infecção por clamídia. Os homens podem sofrer com doenças inflamatórias que acometem a próstata (prostatite), o epidídimo (epididimite) e a uretra (uretrite) — este último quadro também pode afetar o grupo feminino.

Essas infecções costumam formar aderências que prejudicam o transporte dos espermatozoides até o fluído seminal, assim como podem causar alterações no líquido prostático e afetar a qualidade do sêmen.

Transmissão da infecção para o recém-nascido

Vale ainda lembrar que, apesar de o contato sexual desprotegido ser a principal forma de contágio, a infecção por clamídia também pode se propagar a partir da transmissão vertical. Isso significa que, se a gestante estiver com a bactéria, o feto pode ser contaminado durante o parto. Problemas oculares e pneumonia são alguns dos efeitos do processo infeccioso em recém-nascidos.

As formas de diagnóstico e tratamento

A infecção por clamídia é diagnosticada a partir de exames de urina e da análise de amostras de células epiteliais — as quais são retiradas do colo do útero, nas mulheres, e do canal da uretra ou da região anal, no caso dos homens. Já as gestantes passam por exames específicos durante o acompanhamento pré-natal para detectar essa e outras doenças que possam interferir na saúde do bebê.

O tratamento da infecção por clamídia é exclusivamente medicamentoso. Antibióticos são administrados para interromper a ação dos agentes patógenos e, dessa forma, reduzir os sintomas do processo infeccioso.

Contudo, apesar de os fármacos serem efetivos na eliminação dos agentes causadores da clamídia, os danos provocados aos órgãos reprodutores não são corrigidos, havendo o risco de que a infertilidade permaneça. Quando isso acontece, a reprodução assistida é a melhor indicação.

A reprodução assistida no tratamento da infecção por clamídia

As técnicas da reprodução assistida não são direcionadas para o tratamento da infecção em si, mas são indicadas para casais que encontram dificuldades para obter uma gravidez por processos naturais — como pode acontecer com pessoas que foram contaminadas com a bactéria da clamídia.

A técnica mais utilizada no acompanhamento de casais inférteis é a fertilização in vitro (FIV), que envolve uma série de etapas e recursos complementares, conferindo alta complexidade ao tratamento das causas mais diversas de infertilidade.

Antes de iniciar o tratamento — seja com a FIV, seja com técnicas menos complexas, como a relação sexual programada (RSP) e a inseminação intrauterina (IIU) —, o casal passa por inúmeros exames para confirmar as condições de seus órgãos reprodutores. Nessa investigação inicial, é possível detectar patologias estruturais, desordens hormonais, infecção por clamídia e mais uma série de outros problemas que estejam dificultando a fecundação.