Infertilidade feminina - Clínica Elo

Por Elo Clínica

Muitas mulheres têm o sonho de ser mãe, mas se deparam com a infertilidade. Isso pode acontecer por diversos fatores, isolados ou em conjunto, incluindo idade, hábitos de vida, irregularidades menstruais e uma série de doenças que podem afetar as funções do sistema reprodutor.

Alguns quadros clínicos associados à infertilidade por fatores femininos provocam sintomas e sinalizam que algo está errado na saúde ginecológica. Outras condições são totalmente assintomáticas, e a mulher somente procura avaliação médica quando passa por repetidas tentativas frustradas de engravidar.

A infertilidade é definida como a incapacidade de obter uma gravidez após o período de um ano de tentativas sem o uso de métodos contraceptivos. Diante dessa condição, a mulher que pretende ter filhos deve passar por investigação diagnóstica para descobrir as causas da infertilidade e seguir para o tratamento.

O sistema reprodutor feminino e o processo de fertilização

O sistema reprodutor feminino é composto por órgãos internos e externos. As partes internas incluem o útero, os ovários, as tubas uterinas e o canal vaginal. Cada um desses órgãos tem papel fundamental no processo de reprodução, desde a ovulação até o momento do parto.

O processo da gravidez é complexo e passa por inúmeras etapas. Tudo começa com a liberação dos hormônios FSH e LH, que estimulam a ação dos ovários. Em cada ciclo menstrual, ocorre o crescimento dos folículos ovarianos — unidades funcionais que armazenam os óvulos —, mas somente um deles chega à maturação final para a ovulação.

Quando o óvulo é liberado, ele é captado por uma das tubas uterinas e ali pode permanecer por até um dia, onde deve ser encontrado pelos espermatozoides. A união dos dois gametas define o momento da fecundação. O embrião formado segue pela tuba por alguns dias, em direção ao útero, enquanto passa pelos estágios iniciais de desenvolvimento celular.

Ao chegar na cavidade uterina, o embrião precisa encontrar a camada interna do útero com espessura e vascularização adequadas, garantindo um ambiente propício para a implantação e o desenvolvimento embrionário.

Visto que cada órgão reprodutor tem uma função específica no processo de concepção, qualquer alteração funcional ou estrutural pode resultar em infertilidade por fator feminino.

As principais causas de infertilidade por fator feminino

A infertilidade por fator feminino pode ter diferentes causas. Então, para chegar a um diagnóstico correto, é necessário passar por avaliação clínica e realizar exames específicos. Veja quais são os principais problemas associados à dificuldade de concepção:

Problemas ovulatórios

Os distúrbios de ovulação caracterizam a causa mais frequente de infertilidade por fator feminino. As disfunções ovulatórias estão associadas a falhas no processo de maturação folicular ou redução da reserva ovariana e podem resultar de vários fatores, como alterações na ação dos hormônios sexuais, problemas da tireoide e até determinados hábitos de vida.

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o principal quadro clínico associado à anovulação (ausência de ovulação). Outra condição que impacta diretamente a reserva ovariana e a capacidade ovulatória é a falência ovariana prematura (FOP), conhecida como menopausa precoce. A reserva ovariana também pode diminuir devido a lesões nos ovários, decorrentes de doenças ou intervenções cirúrgicas, ou cistos, como os endometriomas.

Doenças que afetam os órgãos reprodutores

Assim como as disfunções ovulatórias, as obstruções tubárias também representam uma parcela significativa dos casos de infertilidade por fator feminino. Nesse sentido, a inflamação das tubas uterinas (salpingite) — causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), entre outros fatores — é um problema de alto risco para a capacidade reprodutiva. Além da salpingite, as ISTs também podem causar ooforite (inflamação nos ovários) e endometrite (infecção no endométrio).

Ao falar de infecções, devemos nos lembrar do papilomavírus humano (HPV), que, além de alterar o muco cervical e interferir na passagem dos espermatozoides, pode evoluir para um câncer de colo do útero.

A endometriose também ocupa espaço expressivo entre as causas de infertilidade por fator feminino. Trata-se de uma patologia ginecológica com grande impacto na qualidade de vida da mulher, dependendo do nível de gravidade. Quando a doença atinge os ovários, é caracterizado o quadro de endometrioma — que consiste na formação de cistos — com riscos de repercussão negativa na reserva ovariana.

Os problemas que afetam o útero também representam um obstáculo nas tentativas de gravidez. Miomas, pólipos endometriais, adenomiose e formação de tecido cicatricial são exemplos de patologias intrauterinas. Anomalias Müllerianas — malformações anatômicas congênitas do órgão — também podem prejudicar o desenvolvimento gestacional.

Idade e hábitos de vida

A idade da tentante é o obstáculo mais evidente nas tentativas de gravidez. A dificuldade de conceber, a partir dos 35 anos, é proporcional à redução progressiva da reserva ovariana. Assim como a quantidade de óvulos armazenados diminui com o envelhecimento, a qualidade das células sexuais também. Como consequência, são maiores os riscos de alterações cromossômicas, falhas de implantação embrionária e abortamentos de repetição.

O estilo de vida é outro aspecto que pode interferir de modo negativo na fertilidade. Fatores como alimentação desbalanceada, extremos de peso, sedentarismo, prática extenuante de exercícios físicos, alcoolismo e tabagismo são exemplos de hábitos prejudiciais às funções reprodutivas.

Além das causas mais frequentes já citadas, a mulher ainda pode desenvolver infertilidade por problemas no muco cervical, fatores imunológicos ou genéticos, trombofilia, entre outras condições.

Os possíveis sintomas da infertilidade por fator feminino

A infertilidade em si não apresenta sintomatologia, mas sim os problemas associados a ela. Em todo caso, a mulher deve ficar atenta às seguintes manifestações:

  • irregularidades no intervalo entre os ciclos menstruais;
  • ausência de fluxo menstrual (amenorreia);
  • dor pélvica intensa;
  • dor quando há penetração profunda durante o sexo (dispareunia);
  • sangramento uterino anormal, com fluxo aumentado;
  • menstruação dolorosa;
  • alterações na pele e queda de cabelo.

As formas de avaliação diagnóstica e tratamento

O percurso diagnóstico da infertilidade por fator feminino começa na avaliação clínica e no exame físico. Em seguida, o especialista pode encaminhar a paciente para os seguintes exames:

  • dosagem hormonal;
  • ultrassonografia pélvica;
  • histerossalpingografia;
  • teste da reserva ovariana;
  • teste genético.

De acordo com o problema identificado na avaliação diagnóstica, o médico define se o tratamento deve ser medicamentoso ou cirúrgico. Em muitos casos, a fertilidade da paciente somente pode ser restaurada com a ajuda da reprodução assistida.

Os tratamentos de baixa complexidade — relação sexual programada (RSP) e inseminação intrauterina (IIU) — são indicados somente em situações com menor comprometimento dos órgãos reprodutores, como os problemas ovulatórios.

Já a fertilização in vitro (FIV) é a técnica mais recomendada da reprodução assistida, uma vez que abrange um leque maior de condições que causam infertilidade por fator feminino e masculino.

A reprodução assistida nos tratamentos de infertilidade por fator feminino

A reprodução assistida atua com tratamentos de baixa e alta complexidade, cada qual indicado conforme o quadro. Há, ainda, inúmeras técnicas complementares que podem ser aplicadas em condições específicas. Por isso, é sempre necessário considerar as características particulares de cada paciente e individualizar o tratamento.

As técnicas consideradas de baixa complexidade — relação sexual programada (RSP) e inseminação intrauterina (IIU) — são indicadas somente em situações mais brandas, como os problemas ovulatórios. Já a fertilização in vitro (FIV) é a técnica mais recomendada da reprodução assistida, uma vez que abrange um leque maior de condições que causam infertilidade conjugal.

A RSP, a IIU e a FIV começam com a estimulação ovariana, que consiste na aplicação de medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento e a maturação dos folículos. Dessa forma, é possível obter uma quantidade maior de óvulos maduros.

Se a mulher não apresentar comprometimento dos órgãos reprodutores, é possível tentar a gravidez por meio da RSP ou da IIU. Problemas mais graves, como endometriose avançada, obstrução tubária e outras condições que afetam a estrutura uterina devem partir para o tratamento com FIV.

Importante lembrar que, independentemente da técnica utilizada, a idade da paciente é um fator relevante para o sucesso do tratamento.